Follow by Email

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Desenvolvimento do ser humano

Como professor, advogo que o ser humano deve crescer e se desenvolver, melhorar, procurar ser um filho melhor que seu pai nos aspectos que escolher. Somos invadidos por diversos tipos de distrações, muitos são apresentados pela televisão, pelo jornal, mascarando o que importa e inserindo esportes, erotismo e religiões, desviando do próprio conhecimento. É o entretenimento, o supérfluo, a fuga de si mesmo.

Os valores sociais da sociedade são egoístas e distorcidos manifestando-se em guerras, destruição do meio ambiente, superstições e corrupção resultada da ignorância coletiva sobre os aspectos emergentes do ser humano.

Nesses aspectos emergentes, os sistemas como o conhecimento, a sociedade, a tecnologia, a filosofia, ou qualquer outra criação passará, quando não inibida, por transformações constantes em direção a um desenvolvimento, sendo suplantadas por tecnologias mais eficientes, por idéias mais modernas e aceitas pela sociedade. Este progresso parece não ter fim e saber disso nos direciona e nos leva no caminho do crescimento e do progresso.

Não deve existir conhecimento empírico estático, e sim a percepção de caráter emergente dos sistemas já mencionados. Dessa forma, deve-se estar sempre aberto a novas informações, novos conhecimentos, mesmo se isso ameace nosso sistema atual de crenças e, portanto, nossas identidades.

Infelizmente, a sociedade de hoje falha em reconhecer isso, e as instituições estabelecidas, seja a igreja, o governo e o mercado, paralisam o crescimento do ser humano, preservando estruturas sociais desatualizadas. Ao mesmo tempo, a população sofre de medo da mudança, pois seu condicionamento envolve uma identidade estática, e desafiar as crenças de alguém normalmente acaba em insultos e apreensão, pois estar errado é incorretamente associado ao fracasso quando, na verdade, estar errado é algo a se celebrar, afinal isso eleva alguém a um novo nível de entendimento, de maior consciência. Diz-se que se aprende melhor com nossos erros.

Os personagens históricos criativos e inteligentes, cientistas e inventores tiveram seu tempo e jazem na história como heróis. A maioria deles já teve suas idéias ultrapassadas e suas invenções melhoradas. Assim, é uma questão de tempo para que o ser humano dito sábio tenha suas idéias atualizadas, alteradas ou erradicadas. A tendência de se agarrar cegamente a sistemas de crenças, isolando-os de informações novas e possivelmente transformadoras é uma forma de materialismo intelectual.

A mídia de massa e diversas instituições induzem as pessoas a apoiar estas estruturas arcaicas cegamente, tornando-se guardiãs voluntárias de um sistema perverso, e controlando, elas próprias, ao isolar aqueles que se comportam fora do padrão, aqueles que possuem idéias diferentes da massa.

Ao resistir à mudança e apoiar, mesmo sem sentir, induzido por familiares e colegas, instituições existentes em nome de uma identidade frágil e efêmera, do conforto, do poder e lucro é insustentável e leva-nos a uma devastação ambiental, produzindo mais desequilíbrio, fragmentação, distorções e, inevitavelmente a destruição geral.

Visões de mundo dominadoras, como religiões teístas, que crêem em um Deus, funcionam com a mesma irrelevância social puxando o homem para longe dele mesmo. O cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo e todas as outras existem como barreiras para o crescimento pessoal e social, pois cada grupo perpetua uma visão de mundo fechada, e o modo de compreensão que eles reconhecem é simplesmente impossível em um universo emergente.

Assim a religião conseguiu bloquear o conhecimento desse caráter do universo ao instituir a distorção psicológica chamada de fé entre seus seguidores, no qual a lógica e as novas informações são rejeitadas em função de crenças tradicionais e atrasadas.

Estas crenças estão na contramão do pensamento sistêmico, do autoconhecimento, do desenvolvimento e proteção ambiental, comungando com as formas atrasadas do sistema laboral que perpetua o desemprego, incentiva o consumismo e destrói o meio ambiente. Parece que humanidade fez uma escolha por uma existência mais breve, porém mais estimulante, como o hippie dos anos 60 que quer viver dez anos a 100 Km/h do que viver cem anos a 10 Km/h.

Referências

BAUDRILLARD, Jean. A sociedade de consumo. Lisboa: Ed. 70, 2007.

BOULDING, K. The economics of the coming spaceship Earth. In DALY, H.; TOWNSEND, K. Valuing the Earth: Economics, ecology, ethics. Massachusetts: Massachusetts Institute of Technology, 1993, p. 297-309.

BROWN, Lester R. O vigésimo nono dia. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1980.

CAPRA, Fritjof. As conexões ocultas. São Paulo: Cultrix, 2002.

DALY, Herman; TOWNSEND, Kenneth. Valuing the Earth: Economics, ecology, ethics. Massachusetts: Massachusetts Institute of Technology, 1993.

DELEUZE, Gilles. Lógica do sentido. 4. ed. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2000.

DIAMOND, Jared. Colapso. Rio de Janeiro: Record, 2005.

FERNANDEZ, Fernando. O poema imperfeito: crônicas de biologia, conservação da natureza, e seus heróis. 2. ed. Curitiba: Ed. UFPR, 2004.

FLANNERY, Tim. O clima está em nossas mãos. História do aquecimento global. Cruz Quebrada, Portugal: Estrela Polar, 2006.

GEORGESCU-ROEGEN, Nicholas. La Décroissance: Entropie, Écologie, Économie. Paris: Editor Sang de la Terre, 1995.

Zeitgeist: Addendum. filme

Um comentário: