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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Livro nas bancas


Estimados amigos.
O livro Ecologia do Petróleo já está na livraria Cultura de todo o Brasil, não me perguntem os porquês... Também pode ser encontrado na editora Biblioteca 24 horas. O preço está meio salgado, reconheço. Na parte de trás, à esquerda, tem um resumo.

No sumário apresento:
       Transportes. 177
       Energia Solar 249
       Hidrogênio. 261

Espero que gostem.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Ecologia do Petróleo - Resumo

Caros Amigos

O livro Ecologia do Petróleo está saindo, talvez com um título ligeiramente diferente. Deixo aqui o resumo:

O que acontecerá com a sociedade quando sua principal fonte de energia, o petróleo, alcançar US$ 300 e, mesmo assim, escassear? E se vaticinarmos que isso poderá ocorrer nos próximos cinco anos? Alguns economistas acreditam que quando os preços sobem o produto aparece para equilibrar o mercado. Mas neste momento o produto não é encontrado como antes para atender a demanda crescente. Desde 1976 não se descobrem grandes reservas de petróleo. Atualmente, apenas um barril de crude é encontrado para cada quatro que são consumidos.
Retirar petróleo no Oriente Médio custa cerca de US$ 5 o barril. A necessidade de buscar petróleo offshore a sete mil metros de profundidade após uma camada de sal de 2 km de espessura ou lavar lamas betuminosas para extraí-lo ao custo de mais de US$ 50 em ambas atividades, evidenciam que a humanidade está com problemas. Não é preciso mais do que examinar a história para ver que sociedades colapsaram por falta de energia. Portanto, devemos nos preparar para as consequências do desabastecimento de petróleo, que se refletirão nos transportes, nos mercados financeiros, nos alimentos e será fonte de conflitos entre países.
O problema é mundial, pouco importando ações de apenas um país, possuindo ou não energia suficiente para se manter: tanto as questões causadas pela falta de petróleo como a poluição atmosférica ou o aquecimento global, são problemas que transcendem governos. Agora, o que os demais países podem fazer, é se unir e reduzir seu crescimento de maneira voluntária, se antecipando aos problemas que a falta de transporte, emprego e alimentos trarão, entendendo que o decrescimento econômico, embora contrário ao mainstream econômico, é uma atitude a se pensar nestes tempos incertos e poderá fornecer as bases de uma nova sociedade.
Em breve deixo mais notícias do livro.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Desenvolvimento do ser humano

Como professor, advogo que o ser humano deve crescer e se desenvolver, melhorar, procurar ser um filho melhor que seu pai nos aspectos que escolher. Somos invadidos por diversos tipos de distrações, muitos são apresentados pela televisão, pelo jornal, mascarando o que importa e inserindo esportes, erotismo e religiões, desviando do próprio conhecimento. É o entretenimento, o supérfluo, a fuga de si mesmo.

Os valores sociais da sociedade são egoístas e distorcidos manifestando-se em guerras, destruição do meio ambiente, superstições e corrupção resultada da ignorância coletiva sobre os aspectos emergentes do ser humano.

Nesses aspectos emergentes, os sistemas como o conhecimento, a sociedade, a tecnologia, a filosofia, ou qualquer outra criação passará, quando não inibida, por transformações constantes em direção a um desenvolvimento, sendo suplantadas por tecnologias mais eficientes, por idéias mais modernas e aceitas pela sociedade. Este progresso parece não ter fim e saber disso nos direciona e nos leva no caminho do crescimento e do progresso.

Não deve existir conhecimento empírico estático, e sim a percepção de caráter emergente dos sistemas já mencionados. Dessa forma, deve-se estar sempre aberto a novas informações, novos conhecimentos, mesmo se isso ameace nosso sistema atual de crenças e, portanto, nossas identidades.

Infelizmente, a sociedade de hoje falha em reconhecer isso, e as instituições estabelecidas, seja a igreja, o governo e o mercado, paralisam o crescimento do ser humano, preservando estruturas sociais desatualizadas. Ao mesmo tempo, a população sofre de medo da mudança, pois seu condicionamento envolve uma identidade estática, e desafiar as crenças de alguém normalmente acaba em insultos e apreensão, pois estar errado é incorretamente associado ao fracasso quando, na verdade, estar errado é algo a se celebrar, afinal isso eleva alguém a um novo nível de entendimento, de maior consciência. Diz-se que se aprende melhor com nossos erros.

Os personagens históricos criativos e inteligentes, cientistas e inventores tiveram seu tempo e jazem na história como heróis. A maioria deles já teve suas idéias ultrapassadas e suas invenções melhoradas. Assim, é uma questão de tempo para que o ser humano dito sábio tenha suas idéias atualizadas, alteradas ou erradicadas. A tendência de se agarrar cegamente a sistemas de crenças, isolando-os de informações novas e possivelmente transformadoras é uma forma de materialismo intelectual.

A mídia de massa e diversas instituições induzem as pessoas a apoiar estas estruturas arcaicas cegamente, tornando-se guardiãs voluntárias de um sistema perverso, e controlando, elas próprias, ao isolar aqueles que se comportam fora do padrão, aqueles que possuem idéias diferentes da massa.

Ao resistir à mudança e apoiar, mesmo sem sentir, induzido por familiares e colegas, instituições existentes em nome de uma identidade frágil e efêmera, do conforto, do poder e lucro é insustentável e leva-nos a uma devastação ambiental, produzindo mais desequilíbrio, fragmentação, distorções e, inevitavelmente a destruição geral.

Visões de mundo dominadoras, como religiões teístas, que crêem em um Deus, funcionam com a mesma irrelevância social puxando o homem para longe dele mesmo. O cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo e todas as outras existem como barreiras para o crescimento pessoal e social, pois cada grupo perpetua uma visão de mundo fechada, e o modo de compreensão que eles reconhecem é simplesmente impossível em um universo emergente.

Assim a religião conseguiu bloquear o conhecimento desse caráter do universo ao instituir a distorção psicológica chamada de fé entre seus seguidores, no qual a lógica e as novas informações são rejeitadas em função de crenças tradicionais e atrasadas.

Estas crenças estão na contramão do pensamento sistêmico, do autoconhecimento, do desenvolvimento e proteção ambiental, comungando com as formas atrasadas do sistema laboral que perpetua o desemprego, incentiva o consumismo e destrói o meio ambiente. Parece que humanidade fez uma escolha por uma existência mais breve, porém mais estimulante, como o hippie dos anos 60 que quer viver dez anos a 100 Km/h do que viver cem anos a 10 Km/h.

Referências

BAUDRILLARD, Jean. A sociedade de consumo. Lisboa: Ed. 70, 2007.

BOULDING, K. The economics of the coming spaceship Earth. In DALY, H.; TOWNSEND, K. Valuing the Earth: Economics, ecology, ethics. Massachusetts: Massachusetts Institute of Technology, 1993, p. 297-309.

BROWN, Lester R. O vigésimo nono dia. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1980.

CAPRA, Fritjof. As conexões ocultas. São Paulo: Cultrix, 2002.

DALY, Herman; TOWNSEND, Kenneth. Valuing the Earth: Economics, ecology, ethics. Massachusetts: Massachusetts Institute of Technology, 1993.

DELEUZE, Gilles. Lógica do sentido. 4. ed. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2000.

DIAMOND, Jared. Colapso. Rio de Janeiro: Record, 2005.

FERNANDEZ, Fernando. O poema imperfeito: crônicas de biologia, conservação da natureza, e seus heróis. 2. ed. Curitiba: Ed. UFPR, 2004.

FLANNERY, Tim. O clima está em nossas mãos. História do aquecimento global. Cruz Quebrada, Portugal: Estrela Polar, 2006.

GEORGESCU-ROEGEN, Nicholas. La Décroissance: Entropie, Écologie, Économie. Paris: Editor Sang de la Terre, 1995.

Zeitgeist: Addendum. filme

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Decrescimento econômico. Loucura?

A sociedade hodierna baseia-se em crescimento econômico, crescendo a riqueza dos países podem-se oferecer empregos para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho, construir hospitais, escolas e estradas. Até diz-se que se podem eliminar a pobreza. Este discurso vem, naturalmente, dos economistas e advogados. São eles que dirigem os países (aconselhando políticos), as empresas e os municípios.

Quando se defende idéias de crescer menos ou de decrescer, se procura um horizonte mais distante, que possa contemplar assuntos estranhos à economia, como a ecologia, por exemplo, como faz a Sociedade Brasileira de Economia Ecológica – ECOECO em que traz abordagens de um economista pouco conhecido como Nicholas Georgescu-Roegen. Em 1976, este romeno publicou um texto sobre entropia, ecologia e economia cujo título era o decrescimento. Nesta época ele advogava que a economia não pode crescer indefinidamente, pois se baseia em aspectos mecânicos – para a indústria funcionar necessita de matéria prima e energia. Tanto uma quanto a outra podem se esgotar ou, depois de usada, se encontrar em estado tal que não sejam aproveitáveis.

O crescimento também deve ser definido. O crescimento populacional já exerce demasiada pressão sobre os recursos ambientais; o crescimento do PIB não leva em conta a questão social e ambiental e o modelo energético baseado no carvão e no petróleo não suporta um crescimento mundial de 3% ao ano ou como o chinês do início do século XX, de cerca de 10%, por muito tempo.

O decrescimento aqui apresentado não é sinônimo de recessão ou crescimento negativo da economia, é uma necessidade para que não se tenha que tomar medidas mais drásticas num futuro próximo. Ainda não se pode provar, com 100% de certeza, que aja uma causa direta entre os problemas ambientais como o aquecimento global ou a subida do nível do mar e o crescimento econômico. Pode-se argumentar, entretanto, que o planeta não suporta o modo de vida dos povos dos países desenvolvidos nem muito menos pedir para que os outros países não queiram ter este tipo de padrão de vida.

Um decrescimento desejado, sem ser obrigado, trará mais empregos em energias alternativas, nos setores de serviços, embora possa oferecer menos horas trabalhadas, reduzir gastos com o setor militar e nos deslocamentos de pessoas e mercadorias. Dirigentes e políticos querem crescer, desenvolver, e a limitação dos recursos é assunto que não devem querer ouvir nem debater, pois vão contra os interesses dos eleitores, dos religiosos e dos empresários.

Alguns economistas mais progressistas, entendedores do assunto, procuram explicar a situação como se fosse uma lógica do mercado. Se se aplicar o dinheiro a ser gasto com as causas ambientais num banco, durante alguns anos, ter-se-á um montante justificável da inércia atual. Com esta lógica economicista se esperam grandes catástrofes num futuro próximo, maiores até que as enchentes, secas e furacões que assolam o planeta hoje.

2. Economia em perspectiva

Manter a máquina da economia funcionando indefinidamente, como pensa alguns economistas que fazem cálculos para o indefinidamente de uma ou duas gerações, com a população mundial crescendo a cerca de 2% ao ano, é importante que a economia dos países cresça. Talvez não 10 a 11% como a China nos últimos anos, mas, quem sabe de 3 a 4%. Para a maioria dos pesquisadores, das diversas áreas, é consenso a necessidade de crescimento da economia, resolvendo problemas de abastecimento, de emprego, de pobreza e a pressão sobre o meio ambiente e os recursos naturais será resolvida em um futuro breve.

Citar as trapalhadas do ex-presidente George W. Bush não causa mais comoção, mas como presidente dos EUA, em fevereiro de 2002, declarou em rede nacional: “Como chave do progresso do meio ambiente, fornecendo os recursos que permitem investir nas tecnologias limpas, o crescimento econômico é a solução, não o problema.” Para muitos o crescimento da economia é a solução para problemas ambientais e sociais, criando empregos e propiciando uma distribuição mais igualitária. Atualmente esta teoria é questionada pelas estatísticas.

Para Meadows, Randers e Meadows (2007) as formas atuais de crescimento, em vez de reduzir, como alega o antigo presidente, perpetuam a pobreza e aumentam a distância entre ricos e pobres. O aumento da produção industrial mundial em 14 vezes desde 1930, fez com que muitas pessoas enriquecessem, mas não eliminou a pobreza. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento denuncia que, em 1960, 20% da população mundial que vivia nos países mais ricos possuíam uma renda per capta 30 vezes maior que os 20% que viviam nos países mais pobres. Em 1995 esta relação pulou de 30:1 para 82:1. Ainda segundo estes autores, a metade mais pobre da população brasileira, em 1960, recebia 18% da renda nacional e somente 12% em 1995. Dez por cento dos brasileiros mais ricos recebiam 54% da renda nacional em 1960, aumentando para 63% em 1995.

Antigamente podia-se aceitar a vinculação do crescimento econômico com o nível de empregos, as fábricas necessitavam de pessoal para trabalhar com as diversas máquinas. Hoje a automação e a informática estão substituindo o trabalho laboral por pessoal especializado. Até no campo, com tratores e colheitadeiras, isso ocorre. Então o crescimento passa a ser algo matemático, estatístico. Baudrillard (2007) denuncia que o PIB, a contabilização do crescimento, é um bluff coletivo das sociedades modernas. Para seu cálculo só entram fatores visíveis e mensuráveis segundo o critério da racionalidade econômica. Nele não se computam o trabalho doméstico das mulheres, nem a investigação, nem a cultura, muito menos o trabalho que o meio ambiente faz de graça como limpeza de rios e mares, a captação de CO2 e liberação de O2 bem como a manutenção do clima. Mas podem entrar no cálculo coisas sem propósito pelo fato de serem mensuráveis. Em todo caso, estas contabilidades não conhecem sinal negativo, tudo é adicionado sejam gastos com venda de cigarros ou do cuidado com os doentes que fumaram estes mesmos cigarros, sejam de reparos de furacões, enchentes e secas. As despesas são computadas e torna-se aumento da produção e da riqueza social.

E o conhecimento, a criatividade e a riqueza pessoal reduzem o tempo a ser laborado, pois quem tem dinheiro pode ganhar mais dinheiro pelo simples fato de já o possuírem, sem empregar trabalho. Prerrogativa de uma elite que pode aproveitar oportunidades para pensar tendências de mercado e ócio. Outros que trabalham demasiado em aspectos braçais, os trabalhadores do chão de fábrica, por exemplo, não conseguem amealhar muito, apenas para sua subsistência, quando ainda conseguem manter o emprego.

3. Consumo

Dessa forma, mesmo sendo contra o pensamento econômico vigente, comum a quase toda a classe política e empresarial, que afirma e divulga na mídia, que a felicidade deve ocorrer por um maior crescimento, mais produtividade, mais emprego, maior poder aquisitivo e, portanto, mais consumo. Esta felicidade, aos olhos cínicos de Baudrillard (2007), deve ser mensurada, como se estivesse intensificando o bem-estar de uma comunidade, procurando manifestá-la aos olhos dos outros e de nós mesmos, como se necessitasse de provas para se ser feliz. A exigência de igualdade, de ter o que o outro tem ou algo melhor, distancia-se de toda a comemoração coletiva, de festas e celebrações, pois se fundamenta em princípios individualistas, de critérios visíveis.

A sociedade atual é de crescimento porque se deixa absorver por ela. Como se a democracia fosse direcionada de uma igualdade entre os homens para uma igualdade símbolo de êxito social e da felicidade. Passa a ser a democracia da televisão, do automóvel, dos celulares, democracia aparentemente concreta, mas formal, reforçando contradições e desigualdades sociais da própria constituição. Esta dualidade se conjuga numa democracia global, que mascara a democracia ausente e a igualdade difícil de achar. As diversas comunidades, ontem e hoje, desperdiçaram, gastaram e consumiram sempre além do necessário, pela simples razão de que é no consumo do excedente e do supérfluo que, tanto o indivíduo como a sociedade, se sente não só existir, mas viver. Sejam os antigos povos que queimam ou jogam no mar pele de animais, canoas e mantas para manter posição e afirmar o próprio valor, sejam as modernas sociedades em que a troca ou aquisição, racional ou irracional, de bens que se revelam essenciais no desenvolvimento de determinado setor da economia (BAUDRILLARD, 2007). Procura-se justificar uma utilidade para o quinto celular, para a décima bolsa ou para o vigésimo par de sapato.

Para o economista idealista, o crescimento é abundância, e a abundância é democracia. Simplificando, nesta sociedade de consumo, a abundância só terá sentido no desperdício - bens materiais, energia ou mesmo água, pois não se vive mais em função da sobrevivência. Aparentemente, se vive em função do sentido individual ou coletivo que se dá à vida.

Dessa forma, justifica-se o crescimento pelo próprio crescimento, como se fosse o objetivo primordial, senão o único da vida. Tal sociedade não é sustentável, porque vai contra os limites do planeta. O ator Danny deVito estrelou um filme dirigido por Norman Jewison “Com o dinheiro dos outros - Other People's Money” no início da década de noventa, em que o personagem argumenta que a finalidade da vida é amealhar o máximo de dinheiro até a morte. No final quem tiver mais ganha, diz ele. E essa forma efêmera de viver é aceita e incentivada. A publicidade está gerando necessidades de algo que não se precisa, com um dinheiro que não se tem, para impressionar pessoas que não se gosta.

Latouche (2009) diz que o decrescimento é uma necessidade, não é um ideal, nem o único objetivo de uma sociedade de pós-desenvolvimento. Pelo menos para as sociedades desenvolvidas, o decrescimento é um objetivo do qual se pode tirar proveito, abandonando o objetivo insensato do crescimento pelo crescimento. O decrescimento não é o crescimento negativo, expressão contraditória e absurda que traduz bem a dominação do imaginário do crescimento.

Para Latouche (2009), uma sociedade de crescimento não é desejável pelo menos por três razões: produz um aumento das desigualdades e das injustiças, cria um bem-estar amplamente ilusório, e não promove, para os próprios favorecidos, uma sociedade de convivência, de festas entre amigos, mas uma anti-sociedade doente devido à sua riqueza.