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segunda-feira, 11 de maio de 2009

10. Viver como o cowboy ou como um astronauta?

Vive-se num ambiente fechado, o planeta Terra, e a forma como os princípios econômicos são aplicados influencia muito a continuidade da vida aqui. Boulding (1993) propôs que, se pensarmos na economia do século passado e a relacionarmos com um cowboy das planícies, tipo John Wayne, simbolizando um romântico, descuidado, explorador e de comportamento violento, solitário onde impera a “lei da bala” como nas sociedades dos pioneiros, ter-se-á uma réplica do que se pratica hoje em nossa economia. O consumo e a produção são coisas boas e seu sucesso depende da qualidade e da quantidade de material de reservas ilimitadas, como se o capim e os boi fossem infinitos, o ouro e a prata estivessem lá para serem descobertos. Os dejetos eram lançados em qualquer lugar por que se acreditava existirem muitos lugares e nunca seriam todos utilizados.

Mas há outra alternativa, ainda não praticada devido aos nossos resquícios de comportamento de cowboy, que se chama de economia do astronauta em que a medida de sucesso não é produção e o consumo, mas a forma de vida, a natureza, a terra, a qualidade e complexidade de todo o estoque capital que se possui incluindo os seres humanos. Numa astronave, o ambiente é limitado, depende-se do companheiro para realizar as tarefas e dos outros seres numa interdependência sistêmica. Tudo deve ser racionado e reciclado, desde os dejetos fisiológicos do homem ao ar respirado, alimentos e combustível, e não há lugares disponíveis nem para crescer nem para despejar lixo. Pode-se pensar no planeta Terra como uma astronave...

Latouche (2009) resume que a grande ilusão antropocentrista da modernidade é de acreditar que um planeta, onde se suprime algumas centenas de espécies vegetais e animais, será um bom planeta, um planeta humano, como se pudesse transformar toda floresta em parques gramados com os animais nas jaulas. Na verdade, cria-se com isso um planeta inumano. Parece um paradoxo, mas o triunfo do homem sobre a natureza irá nos levar a um resultado fatal e inelutável: o suicídio da humanidade. É preciso reconhecer que não existe guerra contra a natureza.

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