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segunda-feira, 11 de maio de 2009

5. Crescimento exponencial

O Produto Interno Bruto (PIB) é definido como todos os bens e serviços produzidos dentro do território econômico, independentes de serem ou não propriedade de residentes no país (ROSSETTI, 1988, p. 504) em um período de tempo. É um dos indicadores mais utilizados para mensurar a atividade econômica de uma região. É um desejo dos países que este PIB cresça sempre, pois significa certo consumo e investimentos por parte da população, que os gastos governamentais e o comércio exterior estão em movimento.

Em todo caso, parece que a população, em geral, tem dificuldade em compreender a função exponencial, ou seja, o crescimento exponencial. Já há muito tempo, conta a lenda, um rei quis recompensar o inventor do jogo de xadrez e ofereceu a ele qualquer coisa. Qualquer coisa? Perguntou o inventor. Então gostaria, respondeu ele, de um grão de trigo pela primeira casa do tabuleiro de xadrez, dois pela segunda e quatro pela terceira, dobrando até a última. O rei achou que alguns punhados de trigo bastariam e que este sujeito poderia ter escolhido presente melhor. Acontece que todo o trigo do mundo não chegaria a pagar nem a metade do que o inventor queria. Matematicamente, demandaria 350 vezes a produção anual de trigo de todo o planeta no ano de 2006!

Naturalmente o rei da história não conhecia o crescimento exponencial! Em outro exemplo, um vendedor de carros ofereceu uma motocicleta nova que valia 8.000 Reais, a um sujeito que queria adquirir a moto, mas não conhecia a função exponencial. O acerto era que o comprador daria um real no primeiro mês, dois no segundo, quatro no terceiro, dobrando até o 14º mês. O que parece um bom negócio no início – 8 e 16 reais no quarto e quinto mês, torna-se um pesadelo – 4.096 e 8.192 Reais no 13º e 14º mês respectivamente. Um valor superior ao da moto foi pago em um só mês, o último, totalizando 16.384 Reais. Brown (1980) em seu livro o “vigésimo nono dia”, trás uma alegoria de um homem que possui um lago e, um dia, aparece um único nenúfar. Imagine que estas plantas dobram de tamanho diariamente. Se o lago está coberto de nenúfares em 30 dias em quanto tempo o lago estará coberto pela metade? Naturalmente, se as plantas dobram de tamanho em um dia, o título do livro mata a charada. Mas quando o dono do lago notará isso? No 21º dia os nenúfares cobrem 0,2% do lago, no 25º dia 3,125%, no 26º dia 6,25%. O que se sente é que muitos economistas também têm dificuldade em perceber o que significa um crescimento contínuo, seja da economia ou populacional. O PIB é calculado sobre valores do ano anterior e um crescimento de 10% como o da China, faz a economia deste país dobrar a cada sete anos.

Qualquer pessoa que olhar atentamente às manchetes dos jornais, observará que se está vivendo tempos de mudança, alterações ambientais como o aquecimento global, a diminuição da biodiversidade e o esgotamento de alguns recursos minerais; mudanças econômicas no que se refere ao aumento do preço do petróleo - a fonte de energia mais utilizada no mundo, na rápida diminuição das reservas de cobre, estanho e zinco e no alto preço pago para se ter água potável, com certa qualidade, quando a ter, pois alguns países e diversas cidades brasileiras, como Recife, estão com dificuldades de obter água. Sem querer imputar responsabilidades a nenhum setor, sente-se que alguma coisa de errado está ocorrendo.

Como pode países desenvolvidos, como a Alemanha e a Dinamarca, em que quase todas as casas aproveitam a água da chuva, possuem painéis de energia solar, locomovem-se de bicicleta e é normal que os carros sejam novos, afinados e gastem pouco, além de que boa parte da população reciclem seu lixo, ter uma emissão, per capta, de CO2 maior que muitos países em desenvolvimento? A resposta é simples: por serem ricos, o consumo nestes países é muito grande, gerando uma maior produção de bens e emissão de CO2. Pode parecer catastrófico, mas, se estes países que são considerados verdes, com crescimento populacional abaixo dos 1,2%, ricos e preocupados com as questões ambientais não conseguem resolver alguns problemas ambientais o que significa a longo prazo? E sobre os demais países?

Autores como Meadows, Randers & Meadows (2007), Daly (1993), Georgescu-Roegen (1976), advertem, não para um crescimento zero, mas para um decrescimento da economia, no sentido que, em um futuro próximo, um dos principais problemas será o aumento dos resíduos causados pelo processo industrial/desenvolvimentista, são apenas poluição dos solos ou das águas, mas atmosférica. A energia requerida para manter a sociedade causa emissão de CO2 (se pensarmos em petróleo e/ou carvão, responsáveis pela geração de mais de 70% da energia mundial) e conseqüente esgotamento das reservas. Fonseca (1977) já denunciava que, se não fossem encontradas mais jazidas minerais, as reservas de chumbo, estanho, mercúrio, petróleo e zinco estariam quase que esgotadas por volta do ano 2000.

Sérgio Abranches, comentarista da rádio CBN, fala sobre a falta de coragem, para não dizer despreparo dos políticos nas eleições de outubro de 2008. Praticamente nenhum dos candidatos, no segundo turno, falou sobre suas propostas para a questão do meio ambiente, parecendo que não tem importância ou não é cobrado pelos eleitores ou ainda que a o lobby agrícola/pecuário ou religioso é forte. É um assunto incômodo, pois vai prolongar os problemas ambientais para um futuro em que a esperança, utopicamente, estará nos avanços tecnológicos, na ciência e na técnica que deverão suplantar nossas deficiências como um ser inconsciente e destruidor, egoísta e egocêntrico. Infelizmente, políticos em outros países não são diferentes, e estas mudanças globais não estão sendo acompanhadas de uma alteração equivalente na consciência econômico-ambiental humana frente a esses problemas, ou seja, continua-se a fazer o que sempre se fez, o consumo aumenta, o homem continua individualmente competitivo nos negócios, na violência, preocupado em possuir bens, muitos desses supérfluos. Dessa forma é ingenuidade se esperar resultados diferentes para as mesmas ações.

Embora exista um sentimento de preocupação por parte dos mais letrados, esta sensação está ligada a uma inércia alarmante, pois um dos maiores problemas mundiais sócio-ambientais, abordados por poucos e corajosos pensadores, é a superpopulação, pois quanto mais pessoas maior é a pressão sobre os recursos naturais, maior a necessidade de energia, de alimentos, os espaços são divididos por mais indivíduos, maior a degradação ambiental. Entretanto, parece irrelevante divulgar a questão sobre o excesso de gente sobre o planeta, porque a igreja condena o controle de natalidade, os contraceptivos e, como os políticos não se preocupam com o assunto, aja vista que além de existir o livre arbítrio familiar, não querem ir contra os mandamentos religiosos (podem perder votos) e, certamente, não entendem os problemas em escala mundial.

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