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segunda-feira, 11 de maio de 2009

7. Disponibilidade de energia

Em 2004 foi lançado um filme de ficção “Quando o petróleo terminar”, IF-Cuatro, comentando que, em 2016, o preço do barril de petróleo custará quase 100 dólares e, por isso, o mundo estaria um caos. Como se sabe, o barril de petróleo chegou a 143,00 dólares em meados de 2008, embora em 2009 oscile em torno de 50 dólares. Em todo caso, o custo para se extrair um barril de petróleo no Oriente Médio é de 17 dólares. No Brasil, nas águas profundas da bacia de Campos, RJ, sobe para 35 dólares. A diferença, para os 143 dólares, é praticamente lucro. Em todo caso, mesmo o preço de 200 dólares o barril não cobre os danos ambientais causados pela poluição e ainda não é suficiente para promover alterações na matriz energética, muito menos para alterar comportamentos sociais em direção a estes problemas.

A revista Exame (2008), relata que o petróleo é responsável por 35% da matriz energética do mundo (38% no Brasil), e de 85% dos combustíveis automotivos além de produzir asfalto, plásticos, roupas, cosméticos, embalagens, tubulações etc. e por quase tudo que se usa na lide agrícola como inseticidas e adubos. O mundo consome 120 milhões de barris de petróleo por dia, e as reservas descobertas não fazem frente a esse consumo. Os especialistas em petróleo otimistas, dizem que as reservas mundiais durarão mais uns 30 anos (os países da OPEP e as petroleiras se recusam a divulgar o montante de suas reservas, pois quem possui o ouro negro possui poder, acionistas e é bom para estes países inflacionarem a quantidade de suas reservas). Vive-se em uma era de energia barata e facilmente manuseável, fazendo com que nossa dependência seja grande, praticamente toda a sociedade gira em torno do petróleo. O crescimento econômico depende dessa fonte de energia suja e barata e, logo, não se poderá mais contar com ela, não com estes preços nem estas disponibilidades.

Apesar de saber-se que a energia é conservativa e de Lavoisier dizer que “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, depois de usada, a energia se transforma em calor e não pode ser usada novamente. As indústrias usam matéria prima e energia, quer dizer, este processo inicia com energia barata e termina com estes mesmos produtos já usados, nos aterros sanitários. Enquanto procura-se na ecoeficiência e reciclagem uma forma de reusar algumas matérias primas, com a energia não é possível.

Atualmente, as energias alternativas como a eólica, solar ou dos biocombustíveis são responsáveis por 3% da matriz energética mundial (17% no Brasil devido aos biocombustíveis) e não representam uma produção constante e em quantidade para ser usada industrialmente. Isso ocorre porque a energia não pode ser armazenada em grandes quantidades. O vento não sopra sempre e o sol se esconde à noite, quando não está nublado, embora apresente perspectivas de crescimento e demanda de mão de obra.

Não obstante os alimentos sejam uma forma de energia, o aumento dos preços desses tem relação direta com a substituição das terras usadas para a agricultura convencional para a plantação de milho e da cana de açúcar, embora não tanto no Brasil devido à sua histórica relação com a cana de açúcar e a grande quantidade de terra disponível. Não se comentará aqui sobre países ricos como Japão e Espanha, embora dependentes, mas sem petróleo. Nem Alemanha, que vem desenvolvendo uma rede de energias alternativas de forma audaciosa e radical e apenas conseguiu que 16% de sua matriz energética fossem substituídas por essas energias. O preocupante são países mais pobres, principalmente aqueles mais dependentes de petróleo.

Embora possa se conseguir substituir e adequar as questões energéticas mundiais para uma matriz praticamente independente do petróleo, como o hidrogênio, de fissão ou o biodiesel, o aumento da população mundial e o desperdício esgotará qualquer tipo de energia, seja ela qual for.

O crescimento econômico chinês dos últimos anos tem um aspecto legítimo e desejável para um país que quer oferecer melhores condições de vida a cerca de um bilhão e trezentos mil camponeses. Mas deve-se levar em conta aspectos sociais e ambientais. O país almeja construir 300 termelétricas a carvão até 2020. Além de causar imensa poluição, o crescimento esta desequilibrando a sociedade chinesa. Estão sendo criadas grandes desigualdades sociais no país. Entretanto, se 20% da população possuir automóveis, além de grandes congestionamentos, o consumo de combustível será problema bem como o aumento da poluição, embora ainda não se tenha certeza se o planeta comporta tamanho crescimento do consumo.

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