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segunda-feira, 11 de maio de 2009

6. Decrescimento

Para Latouche (2009) o decrescimento não significa crescimento negativo, uma recessão. Se o decrescimento não for voluntário, necessário em algumas sociedades, uma visão de futuro, mas sim uma obrigação causada pela redução de matérias primas ou recursos fundamentais à vida, neste caso poderá se tornar uma catástrofe, causando graves problemas sociais, até mesmo a morte devido à escassez de determinados recursos como alimentos básicos.

No caso de se ter o decrescimento como um plano de governo, a ser executado em prazos determinados, pode-se realocar trabalhadores, distribuir recursos de forma diferente da atual, criar outros tipos de empregos no setor de energias alternativas, de serviços, reduzindo a jornada de trabalho, diminuindo gastos com a defesa nacional ou aumentando impostos de produtos supostamente supérfluos.

A desaceleração do crescimento por si só mergulhará nossas sociedades em crises semelhantes às vividas em 1929, criando desemprego, desabastecimento (ou falta de dinheiro para consumir) e poderá se alastrar para outros países. Ocorrerá abandono dos programas sociais, culturais e ambientais que manteriam a conservação do meio ambiente garantindo um mínimo de qualidade de vida. Apesar da mecanização e informatização das indústrias, reduzindo o quadro de pessoal em diversos setores. A sociedade trabalhista necessita, portanto, de trabalho, da mesma forma que é preciso crescer nesta sociedade de crescimento.

Para Georgescu-Roegen (1995) e Latouche (2009), uma política de decrescimento poderia consistir, inicialmente, em reduzir a pressão sobre o meio ambiente das cargas que não trazem benefício social algum, que não o empregatício. Embora alguns filósofos pensem que o mundo ficará mais triste, sem sal e sem emoções com estas reduções, pois voltaríamos a ser uma sociedade semelhante à feudal, mais preocupada com a preservação humana, com a própria sobrevivência. Dessa forma, questionam-se os deslocamentos de homens e de mercadorias, seja por automóveis ou aviões, através do planeta com o impacto negativo correspondente não apenas de poluição, mas também de uso de recursos escassos como combustíveis fósseis; questionam-se a publicidade exagerada e freqüentemente nefasta levando a um consumismo já criticado e; a obsolescência acelerada dos produtos e dos aparelhos descartáveis, sem outra justificativa a não ser fazer com que gire cada vez mais depressa a máquina infernal do consumo.

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